Machu Picchu - pela hidrelétrica com perrengues e economia

 

Quando ir: entre abril e outubro, na época da seca. Julho e agosto são os meses mais cheios.

 

Clima: ameno no inverno. Não faz muito frio, quase não chove, mas é úmido. A altitude de 2400m pode incomodar, mas é bem mais baixa se comparada a Cusco.

 

Onde ficar: é necessário dormir pelo menos uma noite em Águas Calientes (Machu Picchu Pueblo), cidade base para visitar Machu Picchu. Lá eu recomendo o Casa Machu Picchu Hostel.

 

Como chegar: é necessário primeiro chegar a Cusco, para então ir a Águas Calientes (Machu Picchu Pueblo) e de lá para Machu Picchu.

- Cusco: a cidade tem um aeroporto pequeno que recebe muitos voos de Lima, de ônibus são mais de 20 horas.

- Águas Calientes: é possível chegar de trem ou fazer o caminho até a hidrelétrica de van e então caminhar mais 2 horas.

- Machu Picchu: dá para ir de ônibus, 12 dólares, ou a pé, subindo degraus por 1h30.

 

Ingresso: compre seu ingresso antes pelo site https://www.machupicchu.gob.pe/inicio. Eu indico o primeiro horário, das 6h.

 

O que levar: ingresso impresso, documento, casaco impermeável, água, câmera, lanchinhos, moedas para o banheiro.

 

Quantos dias ficar: o ideal é chegar a Águas Calientes (Machu Picchu Pueblo) no fim do dia e dormir cedo. No dia seguinte ir a Machu Picchu pela manhã e voltar a Cusco pela tarde.

 

Comida: a cidade tem uma infinidade de opções de restaurantes, baratos e caros. Além dos mercadinhos, vendem frutas e sanduiches de abacate por todo lado.

 

               A cidadezinha que é a base para se conhecer Machu Picchu se chama Águas Calientes ou Machu Picchu Pueblo. Todo mundo tem que passar por lá, independente do estilo de viagem. Mas nessa cidade não chegam carros ou ônibus, não existe nenhuma estrada que leve até ela, apenas o trem. Esse trem é famoso, super turístico e tem vistas incríveis, pode sair desde Cusco ou Ollantaytambo e é a forma mais fácil e comum de se ir a Machu Picchu. Mas é também caríssimo, cerca de 100 dólares o trecho (existem horários mais baratos e promoções fora de temporada). A opção ao trem, para quem quer economizar ao máximo, é chegar à cidade caminhando. O ponto mais próximo onde se pode ir de carro é conhecido como “hidrelétrica”, várias empresas turísticas oferecem o serviço de van até lá, e então as pessoas seguem a pé por 2 horas. Essa alternativa já está bem popularizada e todos os dias diversas vans saem de Cusco levando turistas que buscam por uma viagem mais acessível.

                Essa é a maneira mais barata de chegar em Machu Picchu, e também a mais complicadinha. Nada que seja empecilho para um mochileiro decidido a conhecer uma das 7 maravilhas do mundo moderno sem gastar muito. Eu decidi ir de van pela hidrelétrica e achei que valeu muito a pena, mesmo passando por vários perrengues. O importante é saber bem o que te espera e ir preparado. Aqui vou explicar direitinho cada passo do trajeto e contar tudo o que eu passei.

                Primeiro de tudo eu gostaria de salientar que a época ideal para ir a Machu Picchu é na seca, de abril a outubro. Há ingressos para o ano todo e nunca se sabe como vai estar o clima. Eu mesma peguei chuva na seca. Entretanto, a época de chuva é muito perigosa principalmente nas estradas, que tem muitos barrancos e sofrem com desabamentos. Eu não aconselho fazer o caminho pela hidrelétrica na época chuvosa.

 

               Todo mundo que vai para Machu Picchu chega primeiro em Cusco e lá o que mais tem são agências de turismo, principalmente ao redor da Plaza de Armas. A maioria delas oferece o percurso de van até a hidrelétrica e normalmente já se compra a ida e a volta. Em 2019 o preço total estava por volta de 70 soles. As empresas combinam um ponto de encontro ou passam nos hotéis pelas 7h para buscar os passageiros. Assim como em todos os passeios que saem de Cusco, a maioria das agências realocam os seus clientes em vans de outras empresas.

                 É bom já combinar na sua hospedagem em Cusco de deixar as malas lá até a volta. Assim você viaja apenas com o necessário para Machu Picchu, para não ter que ficar carregando muito peso.

                 Uma outra opção, que foi a que eu escolhi, é pegar a van em Ollantaytambo. A cidadezinha fica no caminho, duas horas para frente de Cusco. Como eu fiz o passeio do Valle Sagrado no dia anterior, optei por ficar e dormir por lá, assim economizei algumas horas de viagem. Dá para contratar a van lá também, mas eu achei mais garantido já fechar em Cusco. Esperei na pracinha central desde as 10h e já estava preocupada vendo tantas vans passando sem parar, mas por volta das 10h40 parou uma van já cheia, apenas com uma vaga reservada para mim.  

                  O começo da viagem foi super tranquilo, por aproximadamente uma hora. O trajeto atravessa uma montanha e quando estávamos quase em seu ponto mais alto começou a nevar. Seguimos devagar e entramos numa verdadeira nevasca, até que o trânsito parou. Algumas pessoas até desceram e foram brincar na neve e tirar fotos, mas logo voltaram por causa do frio extremo. Aguardamos sem muita informação até descobrirmos que a estrada estava fechada. Ficamos lá parados por uns 40 minutos e o motorista avisou que só poderia esperar por 2 horas ou teríamos que voltar (imagina o desespero de perder o ingresso para Machu Picchu do dia seguinte). Mas então o trânsito foi liberado. Seguimos extremamente devagar por um bom trecho porque não dava para enxergar praticamente nada. Foi aí que descobrimos que o motorista conhecia de cor o caminho inteirinho e sempre já sabia qual seria a próxima curva.

 

                   Nessa parte ainda estávamos no asfalto, a estrada é estreita e sinuosa. Praticamente não há acostamento e as ultrapassagens são difíceis. As vezes ficávamos um bom tempo atrás de um caminhão lento até conseguirmos ultrapassa-lo. Conforme descemos de altitude o clima voltou a melhorar e entramos na área de selva. Fizemos apenas uma parada, onde pudemos usar o banheiro e comprar lanches. A van era bem confortável e fora os momentos tensos a maioria das pessoas ia descansando. Tinha vários peruanos, alguns argentinos, brasileiros e europeus. O motorista parecia bem responsável e dirigia com cuidado.

                    Depois de algumas horas saímos da estrada principal para uma estradinha de terra. Nessa parte muita gente fica com medo ou enjoa. O caminho segue pela beira de precipícios e quando vem algum veículo no sentido contrário fica bem apertado. Nem imagino esse trecho na época de chuva. Mas para quem já está acostumado com as estradinhas do Peru e da Bolívia não é nada muito diferente.

                   Seguíamos tranquilamente quando todo mundo começou a reparar que tinha algum problema com a van. O motorista ficava parando e buscando alguma coisa embaixo do painel. Ficou um silêncio tenso até que ele estacionou e mandou todos descerem. Alguns passageiros se prontificaram a ajudar e tiveram que entrar embaixo do veículo para tentar consertar. Estava um sol quente e enquanto esperamos várias outras vans passaram, mas ninguém parou. Depois de um tempo conseguiram dar um jeito para podermos seguir.

 

                   Chegamos à hidrelétrica às 17h, o certo seria às 15h. Éramos a última van e todos correram para iniciar a trilha logo. Andamos em grupo, o caminho era bem bonito, seguindo a linha do trem. Mas logo escureceu e ficou bem mais complicado. Cada um se virou com a lanterna que tinha e nos reunimos em grupos iluminando o caminho uns para os outros. O chão é todo de pedras e não é muito confortável para caminhar. Dois caras tinham levado malas de rodinhas e tiveram que ir o tempo todo carregando elas nos braços. Atravessamos vários córregos pisando sobre os trilhos. Levamos 2h30, parecia que não acabava nunca e as mochilas ficavam cada vez mais pesadas. Quase no final do caminho passamos por dentro de dois túneis. No escuro não vimos opção, mas é proibido e muito perigoso seguir por ali, pois se o trem vier não tem para onde escapar. O certo é seguir um desvio da trilha.

 

                  As luzes da cidadezinha pareceram um oásis na escuridão. Chegamos e cada um foi para a sua hospedagem. Eu já tinha reservado o Casa Machu Picchu Hostel, que achei ótimo. Saí para jantar rápido e dar uma volta. Águas Calientes (Machu Picchu Pueblo) é provavelmente o lugar com maior concentração de turistas do mundo. A cidade é realmente muito pequena, super simpática e tranquila, lotada de hotéis e restaurantes, além de lojinhas de artesanato. Tem opções bem diversas, para todos os bolsos. Há alguns mercadinhos, com oferta de lanche para levar pra Machu Picchu, mas tudo lá é muito mais caro do que em Cusco.   

                 Fui dormir cedo e no dia seguinte acordei para o início do café da manhã, às 4h30. Deixei minha mochila no hostel, comi rapidinho e já saí andando. Existem duas opções para subir até a entrada de Machu Picchu, de ônibus ou a pé. Os ônibus saem o dia inteiro e custam 12 dólares. As filas ficam bem grandes, mas o trajeto é rapidinho. Para seguir com a economia é claro que eu escolhi ir a pé. Segui por uns 15 minutos até um posto de controle, onde já tinha uma filinha para mostrar o ingresso. Depois o caminho é só escada. Ainda estava escuro e o clima bem úmido no meio da mata. Fiquei uma hora subindo os degraus de pedra com a minha lanterna, foi bem cansativo. As 6h cheguei lá em cima e já estava cheio de gente que foi de ônibus.

 

 

                 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                 É importante já comprar o ingresso antes de viajar, para garantir, principalmente em alta temporada (julho/agosto). O site oficial é https://www.machupicchu.gob.pe/inicio. Se quiser subir alguma das montanhas o ingresso é mais caro e costuma esgotar bem antes. É necessário já escolher o seu horário de entrada. Eu comprei o primeiro, 6h, para poder chegar lá antes de estar tão cheio e aproveitar o máximo possível. Você pode entrar até duas horas depois do seu horário e uma vez lá dentro dá para ficar o tempo que quiser.

                 É proibido entrar com várias coisas, inclusive comida. Mas quando eu fui não teve nenhum tipo de fiscalização. É bom levar um lanchinho e água, porque você provavelmente vai passar várias horas por lá. Mas não exagere no peso da mochila, porque o passeio é cansativo. Aproveite para ir no banheiro antes de entrar que lá dentro não tem. O caminho é sentido único então cuidado para não passar muito rápido por algum lugar porque depois não dá para voltar. Além do tradicional, existem dois trajetos alternativos que qualquer um pode fazer, para a Puerta del Sol e para a Puente Inca, vale a pena. É tudo sinalizado, mas o ideal é seguir com um guia, para ter todas as explicações. Eles cobram valores variados e para ficar mais barato se junte com algum grupo logo na entrada.

                 Apesar de já ter visto imagens de Machu Picchu um zilhão de vezes, quando cheguei lá fiquei impressionada. É incrível como você vai andando e do nada se abre um vale maravilhoso rodeado de montanhas verdes enormes. Só estando lá para entender a emoção. A energia do lugar é muito especial e mesmo estando rodeada por milhares de turistas é possível sentir o porquê dos incas terem construído sua cidade sagrada ali.

 

                Machu Picchu fica a 2400m de altitude, bem mais baixo do que Cusco. Então, se você já estiver aclimatado em Cusco, vai se sentir super bem em Machu Picchu. O clima lá também é bem diferente, mais ameno e úmido por estar no meio da selva e entre montanhas. Na seca costuma fazer bastante sol, mas para continuar a saga de perrengues cheguei lá num dia horrível. De manhãzinha é comum ter bastante névoa, mas depois que a névoa se dissipou pude ver a cidade por pouco tempo até que as nuvens fecharam tudo e depois começou a chover.

                Desci as escadas de volta bem devagar para não escorregar nas pedras molhadas. Busquei minha mochila no hostel, comprei dois sanduiches de abacate e peguei a trilha para a hidrelétrica embaixo de chuva. Dessa vez segui o caminho todo sozinha. O ideal é se planejar para chegar lá entre 14h e 15h, quando a maioria das vans estão esperando. São dois estacionamentos que ficam uma bagunça e ninguém sabe qual van tem que pegar. Um taxista quase me fez entrar no carro dele aproveitando a confusão com a língua para fingir que ele que ia me levar. Provavelmente o motorista e a van que te trouxeram não são os mesmos que vão te levar, então você tem que esperar alguém chamar seu nome ou ir perguntando para todo mundo que aparece. Depois de correr preocupada de um lado pro outro finalmente achei minha van e descansei tranquila nas 6h de volta para Cusco.

 

               Chegando na cidade ainda tive a surpresa de descobrir que o hostel onde estava minha mala, que eu tinha reservado e inclusive deixado pago, tinha ficado lotado. Mas me levaram até um outro onde eu pude dormir sossegada.

               No final de tudo ainda acho que valeu muito a pena ir a Machu Picchu pela hidrelétrica. A viagem de trem deve ser maravilhosa, mas o preço não pode ser um empecilho para sua viagem. Se não quiser pagar pelo trem, não hesite em ir de van, o importante é ter a experiência incrível de conhecer Machu Picchu.

 

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