Jubartes no Pacífico

 

                   As baleias são meus animais preferidos. Eu admiro muito a maneira como elas reinam majestosas pelos oceanos, exibindo sua grandiosidade e delicadeza. Fui para Montañita com o sonho de ver as baleias jubarte de perto. Elas invadem as águas do Equador de julho a setembro e todos os dias saem barcos cheios de turistas ávidos por um encontro.

                 Agendei um tour que saia de Puerto Lopez de manhã. Na hora havia vários barcos por lá e os turistas foram divididos meio aleatoriamente. Começamos a navegar e um guia nos explicou que como os mares estavam cheios com certeza nós avistaríamos alguma baleia. Ficamos navegando por um tempo até que ele viu um filhote. O barco parou e todos ficaram procurando, mas não apareceu mais. Fiquei um pouco decepcionada e com medo de ser apenas isso. Mas um pouco depois vimos bem longe uma outra baleia pulando.

                Me lembro com clareza da emoção que me invadiu nesse momento e da euforia que eu sentia enquanto o barco rasgava o mar em alta velocidade em direção ao animal. Fomos chegando cada vez mais perto e os saltos continuavam. Alguns barcos se juntaram a nós e paramos todos a uma distância segura. O silêncio reinava, enquanto aguardávamos, e só era quebrado pelo estrondo da baleia batendo na água e a comemoração entusiasmada de todos.

                O dia estava feio e a água turva, então não enxergávamos as baleias no fundo, apenas esperávamos com a esperança de que saíssem à superfície novamente em algum lugar por ali. Pelo que o guia nos contou, era um casal. O macho era quem saltava, para marcar território e afugentar outros machos. Já a fêmea colocava apenas sua nadadeira e cauda para fora, batendo na água, indicando que estava feliz.

                Mais feliz do que ela só eu. Não contive as lágrimas e me senti extremamente realizada. Fiquei na parte aberta da frente do barco, de pé, imóvel, apenas contemplando e admirando. Cada salto novo era uma sensação enorme de gratidão que me invadia. Então aguardava de novo, desejando ter a sorte de poder ver um pouco mais.

                Voltamos para a terra e eu estava super contente, mas não imaginava que ainda teria mais uma surpresa. No fim da tarde sentei para observar o mar na praia de Montañita enquanto começava a escurecer. De repente avistei um esguicho ao longe. Não sabia o que era e fiquei observando com atenção. Mais esguichos e nadadeiras apareceram e eu tive certeza que eram pelo menos duas baleias passando por ali. Elas cruzaram toda a praia até sumir no horizonte. Eu estava sozinha, quieta, preenchida pela poesia do momento. Foi a despedida perfeita dos mares do Equador e de suas jubartes maravilhosas.

 

 

 

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