Chapada dos Veadeiros – Encontro de Culturas e Aldeia Multiétnica

                   

 

                Um dos maiores e mais famosos eventos que acontecem na Chapada dos Veadeiros é o Encontro de Culturas, toda segunda metade de julho.  Eu já tinha ouvido falar muito e resolvi ir para lá conhecer.

                A primeira semana é da aldeia multiétnica, etapa do encontro em que diversas etnias indígenas se reúnem em uma aldeia armada na região. Em 2017 foram os povos do alto Xingu, Kayapós, Rikbaktsa, Xavantes, Guaranis, Krahôs e Fulni-ôs. Em uma grande área em meio ao cerrado, cada etnia montou sua casa típica. Os indígenas passam uma semana ali reunidos, fazendo reuniões, palestras, oficinas, compartilhando um pouco de sua cultura e sabedoria. 

                A aldeia é aberta para visita do público, todo dia durante a tarde. É nessa hora que os indígenas fazem algumas apresentações típicas e aproveitam para vender seu artesanato. É uma oportunidade ótima para as pessoas entrarem em contato com diferentes etnias e superarem alguns preconceitos que muitos têm em relação a índios. Mas o horário de visita fica muito cheio e passa rápido. Para quem quer ter uma convivência mais completa, o ideal é acampar lá na aldeia.

                Tem gente que se voluntaria para ficar lá ajudando a semana toda, mas para quem não tem todo esse tempo, dá para acampar e fazer a vivência por um ou dois dias. Foi o que eu fiz e vivi uma experiência única e muito aprendizado.

              

 

                Em uma área reservada para o camping, todos os viventes montam as suas barracas. As refeições são preparadas pelos quilombolas da região e todos comem juntos. É uma hora ótima para se integrar com os indígenas, conversar e conhecer um pouco mais. Cada dia tem uma programação diferente, que não é seguida muito à risca, mas os próprios povos se organizam para fazer suas manifestações culturais.

 

 

 

 

                Eu tive a chance de conhecer o Cacique Raoni, um grande ídolo, e fiquei emocionada quando ele veio me cumprimentar. Também participei de vários rituais, os Rikbaktsa nos deram flautinhas de bambu para tocarmos e dançarmos junto com eles. À noite, ao redor da fogueira, alguns cantavam, outros contavam histórias. Renovei minha conexão com os povos antepassados e com a terra e saí de lá com uma linda pintura Kayapó.

 

 

                Infelizmente, a situação dos índios no Brasil ultimamente é muito grave, seus direitos estão fortemente ameaçados. Muitos vivem sem terras e em situação de extrema pobreza. A demarcação de suas terras é necessária e urgente, e todos temos que colaborar com essa luta. O clipe Demarcação Já, que eu tive o privilégio de montar, conta um pouco dessa realidade.

 

                Com o fim da Aldeia Multiétnica, se iniciam os eventos do Encontro de Culturas, em São Jorge. Não é uma programação tão intensa e as pessoas se espalham pela vila. A maioria das atividades acontece na Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge e no seu entorno. Um palco montado na rua recebe shows de artistas famosos e apresentações culturais dos diferentes personagens que compõem o encontro.

 

                Em palestras, oficinas e rodas de conversa, dá para aprender bastante sobre os conhecimentos ancestrais de diferentes povos. Pela vila, acompanhei os quilombolas levando a festa do Divino de casa em casa. Assisti desfiles de roupas típicas e apresentações de dança. E na procissão das candeias ouvi uma frase que me fez refletir sobre o sentido do encontro. Enquanto todos caminhavam com suas velas acesas uma moça viu a sua se apagar e me perguntou: “posso pegar um pouquinho da sua luz? ”. Acredito que eu saí de lá com um pouquinho da luz de cada um.

 

 

 

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