Saltar de paraquedas era um sonho antigo. Eu tinha muita vontade, mas também muito medo, por isso acabava nunca marcando uma data. Mas as vezes a gente sente que chegou a hora de realizar algumas coisas que estão na lista de desejos há tempos, e um dia resolvi agendar meu salto. Escolhi que seria no dia do meu aniversário, com a companhia do meu pai e da minha irmã.

Aqui em São Paulo, todas as escolas de paraquedismo ficam na mesma região, em Boituva, por causa das condições climáticas. Me preocupo muito com a segurança em esportes radicais e antes de pesquisar preços fui atrás de indicação de quem já tinha saltado. Daí veio a escolha da São Paulo Paraquedismo, que parecia ser bem confiável. Os acidentes são raros, as escolas de paraquedismo são super responsáveis, mas é claro que esse tipo de esporte sempre envolve um risco.

Conforme a data se aproximava e eu me visualizava saltando, já dava aquele frio na barriga. Mas foi quando cheguei lá na São Paulo Paraquedismo que realmente bateu o medo. Eu não pensei em desistir, mas quando vi que o clima não estava tão bom, até achei que se o salto fosse cancelado não seria ruim.

Por questão de segurança ninguém salta se as condições não estiverem ideais. Esperamos bastante até o vento melhorar e então iniciamos a preparação. As duplas são definidas de acordo com o tamanho das pessoas, que deve ser proporcional ao do instrutor para evitar desequilíbrio. Os instrutores dobram o paraquedas e montam a mochila ali na frente de todo mundo. Fizemos uma espécie de treino de como seriam nossas posições na hora do salto, vestimos um macacão e o equipamento de segurança que vai nos prender à outra pessoa e ao paraquedas. Nesse momento eu já estava desesperada, sentia que não estava bem presa e ainda tive que ficar sem meus óculos, que não couberam dentro do óculos de proteção que todos têm que usar.

Nos encaminhamos para o avião, eu entrei primeiro para ser a última a saltar. Meu instrutor ficou conferindo tudo um milhão de vezes, o que eu achei ótimo. Ele se prendeu em mim e ajustou tudo bem forte, aí sim me senti mais segura. O voo foi gostoso, em um avião bem pequenininho e quando chegamos lá no alto todos cantaram parabéns pra mim. O clima é bem descontraído, cada um lida da sua maneira com a tensão, uns riam e faziam piada, eu estava quieta, controlando o nervosismo.

A pior hora foi quando a primeira dupla saltou. Eles simplesmente passaram pela porta e sumiram. E logo seria eu. Não tinha mais volta. O bom é que o instrutor praticamente faz tudo por você. Ele me levou até a porta e a gente foi. Eu não sei se fiz as posições certas nem se gritei. Por um momento tudo que senti foi o vazio.

E então estávamos caindo. Mas eu não sentia como uma queda qualquer. A queda livre foi maravilhosa. Uma sensação totalmente diferente do que eu esperava. Sem medo nenhum. A distância do chão é tão grande, a velocidade é tão alta e o vento é tão forte, que você se sente abraçado pelo ar. Essa parte dura pouco, mas é deliciosa. Uma experiência totalmente fantástica que não se assemelha a nenhuma outra.

Depois que o paraquedas abre é mais tranquilo. Aí já dá para conversar, observar a vista, fazer manobras. Fomos descendo lentamente e pousamos com suavidade. Eu passei muito medo sim. Mas só antes, esperando o que ia acontecer. O salto mesmo é muito gostoso e realmente não dá medo.


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